Enquanto batermos na tecla de trocar pessoas ao invés de processos de administração pública, nada mudará na política nacional.

Martim Afonso de Sousa, (1500-1564, Portugal) foi enviado por Dom João III em 1530, foi o primeiro grande administrador e organizador da presença portuguesa no Brasil, desempenhando papel decisivo na transição do simples reconhecimento territorial para a colonização efetiva. Liderou a chamada Expedição Colonizadora de 1530-1533, que tinha como objetivos consolidar o domínio português, combater invasores estrangeiros — sobretudo franceses — e iniciar uma organização administrativa estável.

Ao chegar, percorreu o litoral, reprimindo o contrabando de pau-brasil e expulsando franceses de diversas áreas. Em seguida, fundou a Vila de São Vicente, em 1532, considerada a primeira vila portuguesa oficialmente instalada no Brasil, com autoridades, câmara municipal e estrutura jurídica. Nesse local, distribuiu sesmarias, incentivou a agricultura e introduziu o cultivo da cana-de-açúcar, instalando o primeiro engenho de açúcar de que se tem registro no território brasileiro, o Engenho dos Erasmos. Esse marco foi crucial para o futuro econômico da colônia, pois inaugurou o modelo agroexportador que sustentaria o Brasil por séculos.

Martim Afonso também organizou a defesa da costa, estimulou alianças com povos indígenas aliados e reforçou o processo de ocupação do interior. Seu irmão, Pero Lopes de Sousa, realizou expedições paralelas, ampliando o reconhecimento do litoral. Além disso, Martim Afonso estabeleceu normas de convivência, incentivou o povoamento e deu início à estruturação política que resultaria no futuro sistema de capitanias hereditárias.

Sua atuação consolidou a soberania portuguesa no Brasil e transformou um território até então explorado de maneira esporádica em uma colônia com bases econômicas, jurídicas e populacionais permanentes. Por isso, Martim Afonso de Sousa é considerado um dos fundadores da colonização brasileira e figura central na história inicial da formação do país.